A Filha da Caldeirada (várias notícias copiadas)

  

 

 

A Filha da Caldeirada

 

 

Jornal

Título

DATA

1

O Democrata

Teatro Aveirense

7 de Fevereiro de 1925

2

O Democrata

Teatro Aveirense

14 de Fevereiro de 1925

3

O Democrata

“Tricanas e Galitos”

2 de Maio de 1925

4

O de Aveiro

Teatro-Grupos Teatrais

3 de Maio de 1925

5

O Democrata

“Tricanas e Galitos” – A sua apresentação no Teatro Aveirense desperta o maior entusiasmo

9 de Maio de 1925

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1)     in O Democrata de 7 de Fevereiro de 1925:

 

Teatro Aveirense

   “Realiza-se hoje e amanhã a representação de A Filha da Caldeirada, visto uma lamentável dissidência ter desavindo parte da família.

         A casa está toda passada.”

 

  

2)    in O Democrata de 14 de Fevereiro de 1925:

 

       Teatro Aveirense

   “A Filha da Caldeirada, que  no Sábado e Domingo subiu à cena, não despertou aquele entusiasmo que se viu o ano passado em todos os espectáculos da Caldeirada, se bem que a Rita da Costa, Conceição Picado, Celeste Freitas, Paula Graça, Sebastião Amaral, José Parracho e Duarte Simão continuem a afirmar os seus créditos de amadores conscienciosos, dando relevo aos seus papéis.

   A música, apesar de muito conhecida, ouve-se com agrado, sendo a parte mais ovacionada a valsa do Moleiro de Alcalá introduzida quase no final do 3.º acto e por onde desde já se pode avaliar o êxito que vai ter a sua reapresentação pelo Grupo de Opereta Amadores de Aveiro ultimamente organizado.

A Filha da Caldeirada repete-se hoje, com alguns quadros novos, e termina depois de se ter demonstrado mais uma vez a aptidão que alguns aveirenses possuem para a arte de Talma.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3)    in o Democrata de 2 de Maio de 1925:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4)    in O de Aveiro de 3 de Maio de 1925:

 

 

TEATRO – GRUPOS TEATRAIS

“Um foi a Coimbra representar A Filha da Caldeirada, e dizem que foi lá muito aplaudido. Outro representou em Aveiro, no mesmo dia, o Moliero de Alcalá, e muito aplaudido foi. Em ambos os grupos há figuras muito boas, mas, no conjunto, ambos eles estão incompletos. Falta de juizo. Com juizinho, juntavam-se os dois, pondo de parte disputas de alecrim e mangerona, e, então, sim, arranjavam um grupo completo.”

 

 

 

 

 

5)    in O Democrata de 9 de Maio de 1925:

 

“Tricanas e Galitos” – A sua apresentação no Teatro Avenida, de Coimbra, desperta o maior entusiasmo

 

         “Como prometemos no número anterior, vamos dizer o que foram os dois espectáculos do grupo Tricanas e Galitos naquela linda e hospitaleira cidade do Mondego, pedindo para isso licença ao nosso colega Gazeta de Coimbra para deles transladarmos o relato que inseriu e condiz perfeitamente com a opinião geral, sem excluir a restante imprensa:

         Não há palavras, por mais sincéras e mais suaves, que possam traduzir a satisfação e a alegria que sentimos, ao lançarmos mão da pena, para dizermos o que fôram a duas noites passadas no Teatro Avenida, onde o pôvo de Coimbra esteve em contacto espiritual com o pôvo da famosa cidade do Vouga.

         Assim, serenadas as ovações delirantes, em que dois corações se entrechocaram num amplexo e fraternal convívio; recolhidas as últimas manifestções de carinho e de ternura que o pôvo da nossa terra dispensou aos representantes da cidade de Aveiro; limpas as lágrimas de saudade e de tristeza, que a vinda a Coimbra do Grupo dos Galitos nos fez verter – saudade de umas horas de alegria que jámais voltarão; tristeza por nos vermos privados de continuar por mais noites a cingir ao peito, num abraço eterno, o pôvo nosso irmão – a nossa alma eleva-se em extasis de amôr, procurando reviver por muito tempo as belas noites que passamos.

         Aveiro deve estar reconhecido pelo carinho que mais uma vez lhe patenteamos, e Coimbra deve sentir-se ufana e orgulhosa por ter cumprido o seu dever de cidade hospitaleira.

         Isso nos basta.

         E agora, que os representantes de Aveiro regressam á sua terra natal, cheios de fé e de esperança, ao dar-lhe um abraço de despedida, brademos bem alto:

         Pôvo de Aveiro: adeus até bréve!

***

         Quando constou nesta cidade que o Grupo Scenico Tricanas e Galitos de Aveiro, vinha a Coimbra representar a revista que há tempo trazia em scena, é muito possível que houvésse alguem que achasse temeridade, visto a plateia de Coímbra ser considerada das mais ilustradas do país e muitas vezes demasiadamente exigente, embora lhe dêem gato por lebre, uma vez por outra.

         Da nossa parte não houve esse receio por sabermos que na cidade de Aveiro, a terra tão nossa amiga, existem há muito elementos valiosos, autenticas vocações para o teatro. A nossa espectativa, porém, foi muito além do que podíamos esperar, atentas as dificuldades de pôr em scena uma peça que exige um conjunto de circunstancias para merecer, sem favor, os aplausos que alcançou do nosso público.

         O exito duma revista não está só no trabalho do seu autor, depende tambem, e muito, da mise-en-scene. Quer bôa musica, bom scenario, bom guarda-roupa. Quer quem saiba dizer e cantar; quer movimento e acção; quer vida, jogo de scena. Ora tudo isto constitue um conjunto de dificuldades que o Grupo dos Galitos, de Aveiro venceu admiravelmente. Não parecia estarmos em presença de amadores dramaticos.

         Muito recentemente, no mesmo palco onde agora conquistou tão merecidos aplausos esse famoso Grupo em que se encontram vocações que não são para despresar, uma companhia de profissionais não deu melhores próvas, antes fica longe de se pôr em confronto com os amadores dramaticos que aí vieram.

         A Filha da Caldeirada é uma revista regionalista, localisada á cidade de Aveiro e ás praias suas visinhas. Foi escrita pelo sr. Luís Couceiro, que assim mostra uma decidida competencia para este genero, cada vez mais dificil por falta de originalidade.

         A musica, do sr. dr. Vasco Rocha, é bonita e bem instrumentada. Certamente que ao seu autor se deve um quinhão importantissimo no grande sucesso da peça. Foi ele o regente da orquestra, que era bôa.

         O scenario, do sr. José Santana, é de efeito, principalmente as vistas maritimas e e da ria. Os córos afinadissimos e cheios.

         Quanto ao desempenho é justo afirmar que todos déram o seu concurso para este excelente resultado, o que mais nos surpreende, pelo que diz respeito ao sexo feminino, onde rareiam mais vocações.

         Os papeis principais, a cargo de Ríta da Costa, Celeste Freitas, Maria de A. Lima, José Vieira, Manuel Graça, José Parracho e José Simão, muito bem. Bastantes numeros de musica fôram bisados.

         A apoteose do 3º acto é uma saudação a Coímbra, cantando-se a linda marcha Coimbra-Aveiro, letra do sr. dr. Octaviano de Sá, com musica do sr. Francisco Costa.

***

         O espectaculo de domingo teve uma enchente á cunha, e muita gente não conseguiu obter bilhetes.

         Como no dia anterior, as manifestações ás duas cidades repetiram-se com entusiasmo caloroso durante o espectaculo. Os aveirenses associaram-se tambem a essas manifestações erguendo vivas e agitando lenços.

         No Domingo, no final do 1º acto, o Grupo Dramatico Beneficente de Coimbra, foi ao palco fazer a entrega duma mensagem de saudação ao Grupo de Aveiro. A mensagem era escrita em pergaminho, encimada pelo brasão das duas cidades, magnifico desenho á pena do sr. José Maria Simões, funcionario da secretaria dos Hospitais da Universidade, e encerrada numa magnifica pasta de madeira, desenho do sr. Alvaro Ferreira, entalhador, com ferragens, magnifico trabalho do distinto artista sr. Albertino Marques.

         Em nome do Grupo Dramatico Beneficente, fez essa entrega o sr. Augusto Teixiera de Sá, que leu a mensagem e cuja leitura provocou novas e freneticas saudações a Aveiro e Coímbra.

         A mensagem é do seguinte teor:

         O Grupo Dramatico Beneficente de Coimbra saúda muito efusivamente o Grupo Scenico Tricanas e Galitos, da linda e ridente cidade do Vouga.

         Nesta saudação, bem sentida, vai o muito da admiração que todos os elementos constituintes do Grupo Dramatico Beneficente de Coimbra, sentem pelos que, procurando mostrar os progressos de uma cidade considerada a Veneza de Portugal, veem afirmar o culto pela arte de Talma, a mais culta, senão a mais bela das artes que nos é permitido cultivar.

         Mas apezar desse aspecto da admiração que todos os amadores dramaticos nutrem pelo belo  Grupo Scenico, que nos deu a honra da sua visita e que nos fez apreciar, em manifestação de uma arte completa e sentida, o muito que vale o Grupo Scênico Tricanas e Galitos, nós queremos tambem revelar nesta nossa modesta próva de muita simpatia, a grande estima que une as duas cidades – Coimbra e Aveiro – e que a visita agora realizada mais vem fortalecer e estreitar.

         Aceite pois, o Grupo Scênico Tricanas e Galitos de Aveiro, as calorosas e bem sincéras saudações do Grupo Dramatico Beneficente, de Coimbra e que, ao recordar os seus triunfos e os seus melhores aplausos, juntem sempre como trofeu de gloria as carinhosas e sentidas manifestações de apreço que o público desta cidade justamente lhe dispensou e que é fiel interprete nesta saudação os igualmente cultores de uma arte que vêmos, com tanto carinho e com um tão elevado conceito como é pelo  Grupo Scênico Tricanas e Galitos.

         Hurrah, pois, pela cidade de Aveiro e pelo seu Grupo Scênico Tricanas e Galitos!

 

         O director do Grupo dos Galitos, sr. José D. Simão, num brilhante e entusiastico improviso, agradeceu a homenagem do grupo de Coimbra e aos habitantes desta cidade tantas e tão grandes próvas de estima e amizade que haviam recebido durante a sua estada em Coimbra, e que fôram álêm de toda a sua espectativa, não obstante contarem já com a sua benevolencia e tradicional hospitalidade, o que veíu ainda mais estreitar os laços de amizade que de há muito existem entre as duas cidades.

         O seu magnífico discurso foi coroado com quentes salvas de palmas que se prolongam durante muito tempo á mistura com os vivas a Aveiro e Coimbra, manifestação que chegou ao delirio, quando a orquestra executot a marcha Coimbra-Aveiro.

         Os habitantes da linda cidade de Aveiro de há muito que conquistaram as simpatias e a amizade do pôvo de Coimbra, que no domingo se consolidaram mais no Teatro Avenida, que podemos bem dizer constituiu uma apoteose a essa solidariedade de dois povos que se amam e que se encontram irmandos pelos mesmos sentimentos de fé e esperança.

***

         Os alunos do 4º ano da Faculdade de Sciencias ofereceram tambem ao Grupo Scenico um ramo de flôres, do qual pendiam fitas com as côres da Faculdade.

***

         Para todos do Grupo dos Galitos de Aveiro vão as nossas calorosas felicitações e agradecimentos, por nos terem dado mais esse testemunho de bôa e grata amizade que há muito liga as duas cidades, quasi visinhas.

         Há muitos anos foi de Coimbra a Aveiro uma peregrinação promovida pelo Bispo Conde D. Manuel de Bastos Pina. Foram então daqui milhares de pessoas, que Aveiro recebeu carinhosamente. Foi então que tiveram o seu inicio os laços de mutua simpatía e afecto entre duas cidades, cada vez mais amigas.

         Os aveirenses que nos deram a honra de vir representar em coimbra a sua revista decerto regressam á sua terra bem impressionados pelo triunfo que aqui alcançaram. Pois os conimbricenses tambem, por muito tempo, guardarão consigo a grata lembrança das duas deliciosas e alegres noites que lhes proporcionaram no Teatro Avenida desta cidade.

         E cá os esperamos mais vezes, podendo ficar certos que Coimbra os receberá sempre com carinho e amizade.”

 

 

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