Companhia D. Amélia, 1909 (anúncio + crítica)

 O Povo de Aveiro, 9.05.1909:

in, O Beira-Mar,  jornal Monárquico (19 de Maio de 1909):

(…) “De todos os géneros de arte, o teatro é a nosso ver, o mais poderoso agente de emoção e, como tal deve ser igualmente um poderoso meio de equilíbrio e não um elemento perturbador, na educação intelectual, moral e afectiva do povo.

         Assim, é que não se tolera hoje o velho melodrama, nos moldes cediços do primitivo classicismo, em que da plateia se apostrofava o tirano ou saíam, fungando como Madalenas, os espectadores não podiam nem sabiam resistir ao trágico epílogo dum romance de capa e espada.

         É um outro espírito social da época e mudaram também por completo os cambiantes da vida humana.

         O palco é um pequeno trecho do meio em que agimos, em que lutamos, sem personagens de convenção, ou efeitos cénicos que firam a imaginação, apenas, ou deslumbrem os sentidos.

         Exigimos por personagens os tipos vulgares, comuns, reais, que encontramos todos os dias, hora a hora, instante a instante, com as quais tratamos, no labutar constante das nossas relações sociais.

         A acção é o pequeno facto que se nos depara a momentos, com que tropeçamos a cada passo, que se dá connosco ou com os que conhecemos ou que nos passa despercebido de tanto familiarizados com ele, mas que, bem observado e estudado, dele tiramos ensinamentos preciosos e sábios avisos.

         Tudo o que não seja isto, uma vez que no teatro acima da verosimilhança, não haja a realidade e que as figuras não saiam torturadas, marteladas pela técnica fantasista do autor, mas antes simples, perfeitas, naturais movendo-se e declamando tal como nós próprios nos movemos e declaramos será, tudo isso, o que quiserem, um agradável passatempo, um aperitivo, um desopilante tudo, - teatro na verdadeira acepção da palavra, tal como ele deve ser compreendido, como uma escola onde se eduque um espírito e se forme um carácter donde provenham utilidades e cujo fim moral e social se destaque e se apreenda e possa materializar-se, depois, em obras e actos, ou traduzir-se em estímulos, em intenções, em elementos de valorização e de cultura de ideias e de sentimentos.

         Para que o teatro satisfaça à concepção presente desse tão sugestivo ramo da arte, é preciso que mais alguma coisa vibre que à sensibilidade, que dele nos não fique apenas uma perturbação nervosa dos sentidos, determinante directa, muitas vezes, e verdadeiras perversões do senso moral, mas que a inteligência accione, que a nossa razão receba a impressão que se nos quis comunicar e que, em vez de se escoar pelo fio condutor dos nervos, ela se traduza numa ideia, fortemente vincada no cérebro e num sentimento são, cuidadosamente agasalhado e respeitado.

         Ora, porque assim é, ou porque assim entendemos ser, é que julgamos digna de aplauso a iniciativa da Empresa [Soares & Companhia], trazendo ao nosso teatro a primeira companhia de declamação, a mais homgénea e mais completa de todas as companhias portuguesas de drama e alta comédia.” (…)

 

                                                                           C. Vale de Guimarães

 

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24 de Maio de 1909

Crítica aos três dias de espectáculos, mas fala essencialmente dos actores em geral. Como é longo o artigo, deixa para depois a crítica específica.

 



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