Os actores e as actrizes
Apesar da grande actividade teatral, nenhuma grande diva, ou pelo menos, figura de primeiro plano nasceu em Aveiro. Dos poucos aveirenses que saltaram para a ribalta, extrapolando o limite geográfico da terra, encontramos os nomes de Isaura Ferreira, Maria Idalinda Gasparinho, Augusta Freire, Abel Costa, Manuel Moreira, Aurélio Costa e José Júlio Fino. No entanto, poucos dados há acerca das novas carreiras encetadas.
Isaura Ferreira, nasceu em Aveiro a 10 de Outubro de 1864. No entanto, poucos registos há sobre actuações na sua terra natal, sabendo-se apenas que, em 1886, já estava no Teatro da Trindade, onde representou a opereta Os três dragões. Passou por diversos teatros, entre eles, o da Trindade, Avenida, Rua dos Condes, D. Amélia, etc.
Maria Idalinda Gasparinho foi actriz muito jovem, formada antes do Teatro Aveirense, no extinto teatro da Rua do Rato. Sobre ela pouco se sabe, a não ser algumas notícias dos periódicos de então. Aproveitando a passagem da Companhia Macedo, “a melhor que percorre a província” [Campeão das Províncias, de 13.08.1862], a jovem acabou por ser integrada no elenco da companhia. Pontualmente, regressava a Aveiro, ajudando sempre que necessário. Foi o que aconteceu a 24 e 25 de Março de 1883, para colaborar na receita em benefício da caixa da Companhia dos Bombeiros Voluntários, tendo recebido uma gratificação de 9$000 (quase tanto como o valor da receita dos bilhetes na geral, no primeiro dia). No entanto, um bom investimento, a julgar pelas muitas pessoas que não puderam assistir ao espectáculo, por se encontrar com a lotação esgotada..
Augusta Freire começou por ser uma das fundamentais estrelas dos “primeiros” Galitos. A 10 de Fevereiro de 1911, O Democrata, tece-lhe rasgos elogios, elevando-a à categoria de “estrela do grupo Tricanas e Galitos pelo que lhe são distribuídos sempre os melhores papéis, os mais difíceis e de maior responsabilidade”. Tal devia-se, segundo o mesmo periódico, ao seu talento e arte, uma vez que era dotada de extraordinárias habilidades e aptidões. Nessa altura, pisava os palcos ainda na qualidade de amadora, sem que fizesse disso modo de vida. Pouco se sabe sobre a sua carreira artística, a não ser que foi expressamente contratada por Eduardo Schwalbach, para a companhia do Teatro Apolo, de Lisboa, para integrar a opereta O Chico das pêgas, segundo relata o referido periódico. No entanto, o seu nome não consta do elenco da estreia, arquivado na CETbase. Em 1917, apesar de doente, regressa a Aveiro para um espectáculo de caridade, numa altura em que já integrava a companhia do Teatro Avenida, dirigida pelo actor José Ricardo (anexo III, fig. 29).
Abel Costa e Manuel Moreira foram outras duas marcantes figuras que procuraram a fama noutros palcos Ambos foram fundadores do Cénico dos Galitos e, em conjunto, partiram à aventura do Teatro Nacional:
Por decreto do Ministro do Interior foram colocados no Teatro Nacional, Almeida Garrett, como societários de 1ª classe os nossos patrícios Manuel Moreira e Abel Costa.
Folgamos bastante com esta justa nomeação, já porque os nossos amigos têm diante de si um belo e risonho futuro, já porque ficamos livres de os aturar. [Liberdade, 25.2.1911]
A ida para Lisboa não criou impedimentos a figurarem nos palcos aveirenses. Com os seus colegas dos Galitos – nomeadamente Aurélio Costa - ou com outros amadores, ao longo de vários anos, desempenharam diversos papéis, como actores, encenadores e mesmo autores. Juntos ou separados, conseguiram juntar à sua volta mais amantes da arte dramática, proporcionando às gentes de Aveiro espectáculos dignos de figuras de primeiro plano. Sobre Abel Costa diz-se que, era costume, decorar mal os papéis, o que causava hesitações e atrapalhações nos colegas com quem contracenava, facto rapidamente perdoado pelos seus admiradores (anexo III, fig.s 30 a 32).
Mais recentemente, José Júlio Fino, do CETA, também alcançou alguma notoriedade com os prémios do Secretariado Nacional de Informação (SNI) o que lhe valeu um contrato, por um ano, na Companhia Nacional D. Maria II, em 1966.
De resto, um grande número de aveirenses ficou conhecido unicamente na sua região devido aos longos anos de dedicação ao teatro. Tal deveu-se ao grande brio e à enorme consciência da importância do seu papel. Tanto J. Duarte Simões, como Carlos Aleluia, e os já referidos Aurélio Costa, Abel Costa e Manuel Moreira, estavam sempre prontos a dar “uma mãozinha” em qualquer récita, quer fosse de académicos, quer de amadores.

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