A crise e as suas razões: conflitos

Apesar de algumas polémicas pontuais, nenhuma foi tão grave como a que se verificou nos anos 40, envolvendo Egas Salgueiro e Alberto Souto, duas personalidades ilustres do burgo. Nesta altura, temia-se que a inauguração do moderno Cine-Teatro Avenida viesse afundar ainda mais as parcas economias do Aveirense e os sócios questionavam a existência da sociedade, uma vez que, poucas tinham sido as oportunidades de ver algum retorno ao seu investimento. Havia que se proceder, o mais rápido possível, a obras de modernização, sob pena de que a Inspecção Geral de Espectáculos não tolerasse mais o seu funcionamento, nomeadamente quando deixasse de ser o único da cidade. Poucas eram as pessoas aptas a pôr em prática um projecto tão sumptuoso. Depois de algumas Assembleias Gerais, chega-se a um consenso: o bem sucedido empresário e homem de negócios, Egas Salgueiro, poderia ser a pessoa ideal para reunir garantias financeiras para que as obras se realizassem.
Tudo estava bem encaminhado, quando, um seu adversário politico, o Dr. Alberto Souto, presidente da Assembleia Geral da Sociedade, levantou nas páginas do jornal O Democrata, muitas intrigas e a suspeita de que o objectivo do seu inimigo era vender o edifício e tirar dividendos em seu próprio proveito. Apesar deste se defender, as acusações levantadas, juntamente com a displicência que alguns herdeiros das acções vinham sentindo, fazem com que a cidade se divida no apoio ou não à Direcção. É que muitos dos compradores iniciais das duas mil acções, tinham já falecido e, de acordo com os estatutos da sociedade que vigoravam então, estas deviam ser averbadas no prazo de um ano após a morte do autor; caso contrário, as mesmas eram dadas como perdidas, a favor da Sociedade. Alguns sócios discordavam do modo como os artigos estavam redigidos, o que levantava algumas dúvidas. Após o parecer de diversos advogados, Alberto Souto optou por publicar a lista com o nome dos sócios cujas acções estavam dadas como anuladas [O Democrata, de 25.08.1944] e as dos sócios efectivos [O Democrata, de 2.09.1944]. Por ter sido uma decisão própria, à revelia dos outros elementos da Assembleia, e que custou muito dinheiro à Sociedade, Alberto Souto é afastado, a pedido da Direcção e do Conselho Fiscal. Apesar de ter sido irradiado, não deixou de comparecer às Assembleias Gerais, na qualidade de sócio, onde continuou a atacar as contas e outras opções da Direcção. 
Depois de muita celeuma, esta mesma Direcção nomeou uma Comissão para elaborar novos estatutos, acabando, assim, com páginas e páginas de querelas na imprensa.

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